Uma cidade acolhedora para todos

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Por Adriano Sampaio*

Desde criança, tenho interesse pela natureza por causa da origem dos meus pais, que vieram da caatinga da Chapada Diamantina, na Bahia. Todos os meus tios e avós eram pescadores e caçadores. Essa convivência me ensinou muitas coisas que coloquei em prática mais tarde, na cidade de São Paulo.

As dificuldades foram muitas, mas em 2013 comecei a participar de mutirões na horta comunitária da Pompéia. Depois, participei da formação de outro grupo, o Ocupe e Abrace, para ocupar a Praça da Nascente com propostas socioambientais e culturais. Realizamos o Festival da Praça da Nascente para comemorar as estações e unir essas propostas que transformam a cidade com o empoderamento das pessoas e a ocupação dos espaços públicos.

Começamos a partir dos mutirões festivos para fazer plantio e cuidar das nascentes da praça e dos lagos. Qualquer pessoa pode participar desses mutirões, basta apenas ter vontade. Diferente do que muita gente pensa, não é preciso ter conhecimento técnico, tudo é uma troca de saberes entre as pessoas que participam.

Participar dos mutirões me proporcionou novos conhecimentos da natureza e, principalmente, a conexão com as pessoas que querem, de alguma maneira, uma nova cidade, uma cidade mais verde, com o resgate do bom convívio em comunidade e praças públicas.

Hoje, muitas pessoas anônimas também cuidam da praça. Elas percebem a transformação e começam a se dedicar como se aquilo fosse uma extensão de suas vidas! Muitas delas falam que se sentem muito bem porque resgatam aquele clima de roça, as rodas de boas prosas em volta da fogueira e, muitas vezes, com música e piqueniques colaborativos.

No caos da cidade, muitas vezes as pessoas só estão esperando uma oportunidade para por a mão na terra e fazer alguma coisa por sua comunidade. A cidadania é você quem faz.

*Adriano Sampaio é idealizador do Existe Água em SP e cofundador do Movimento Ocupe e Abrace.

Campanha de financiamento coletivo discute revitalização do córrego Jaguaré

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Imagem: Associação Águas Claras do Rio Pinheiros

Imagine um rio limpo no meio da cidade de São Paulo para você passear e se divertir com sua família. Com o objetivo de aumentar a quantidade de rios limpos na cidade, para despoluir o rio Pinheiros, a Associação Águas Claras do Rio Pinheiros lançou uma campanha de financiamento coletivo para discutir a revitalização de um dos afluentes mais importantes do rio: o córrego Jaguaré.

De acordo com associação, para atingir essa meta, é preciso cuidar dos afluentes do rio. Assim, ela articulou uma discussão com órgãos técnicos que teve como resultado a elaboração de um programa de trabalho para a identificação do conjunto de medidas necessárias para a revitalização da bacia hidrográfica do córrego Jaguaré. A região equivale a 10% da área total da bacia hidrográfica do próprio rio Pinheiros e funcionará como piloto. Futuramente, o projeto poderá ser replicado para cada uma das áreas que levam águas para o rio.

A meta da campanha é arrecadar R$150 mil até o dia 23 de outubro. Se for alcançado, o valor será aplicado na organização da discussão pública do projeto e na preparação de materiais de apoio para reuniões que serão realizadas com moradores, Prefeitura e entidades sociais. As pessoas que contribuírem receberão diferentes tipos de recompensas, de acordo com a quantia doada.

A campanha poderá também facilitar a inclusão de um novo item no projeto: a discussão de quanta área verde é necessária para garantir a qualidade ambiental e a proteção das águas. Para o desenvolvimento das etapas técnicas importantes do processo, a Associação Águas Claras do Rio Pinheiros já tem um financiamento no valor de R$ 1,5 milhão do Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

Entre no site e entenda todos os detalhes de como contribuir.

Virada Sustentável terá eventos por toda a cidade de São Paulo

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CineSolar. Foto: Virada Sustentável / Divulgação.

Já está por dentro da programação da Virada Sustentável deste ano? Entre os dias 26 e 30 de agosto, a cidade de São Paulo receberá a sua 5ª edição, com mais de 800 atrações, para todas as idades, que envolvem temas como mobilidade urbana, água, cidadania, biodiversidade, consumo consciente, economia verde, entre outros.

A Virada é um festival anual de mobilização e educação para a sustentabilidade, que envolve cocriação, articulação e participação direta de organizações da sociedade civil, órgãos públicos, escolas e universidades, empresas, coletivos e movimentos sociais.

Neste ano, o evento acontece simultaneamente em parques como Água Branca, Burle Marx, Cemucam, Ibirapuera, Juventude e Villa Lobos, além do Centro Cultural São Paulo, Museu da Casa Brasileira, Fábricas de Cultura, escolas e espaços públicos diversos. O Largo da Batata e a Praça Victor Civita também serão palco de atividades.

Segundo André Palhano, idealizador da Virada, a questão hídrica foi o tema que reuniu o maior número de inscrições de projetos para o evento – quase 40%. O Parque Villa Lobos, por exemplo, terá o projeto “Água, Arte e Sustentabilidade”, composto por uma exposição de obras de arte popular brasileira e um espetáculo teatral que trata o tema da água de forma lúdica.

Eventos por toda a cidade

Diversas ações promoverão ocupações locais em áreas públicas de São Paulo. No Largo da Batata, o coletivo Floresta Urbana vai utilizar um paredão de 100 metros em uma instalação que integrará grafite e cinema – um telão público será entregue como presente à cidade, ao final da Virada – o Cinema Verde.

Promovido pelos Aliados do Parque Augusta, o tradicional Pic Nic à Moda Antiga terá sua quinta edição na Virada, com novo nome e a mesma proposta: sensibilizar a população para a importância de um parque 100% verde numa das ruas mais tradicionais da cidade. Em clima de festa, com música e atrações, o Pic Nic Parque Augusta acontecerá no domingo (30), das 14h às 18h, na própria Rua Augusta, fechada para o trânsito.

Pontos tradicionais do bairro Vila Madalena terão programação especial para a Virada, como o Armazém da Cidade, a galeria King Cap e a Livraria da Vila, com direito a piqueniques, rodas de leitura e contação de histórias para a criançada, entre outras atividades.

Uma das preocupações da organização do evento é não restringir a Virada ao Centro de São Paulo. Os extremos Sul e Leste de São Paulo terão eventos também. Com curadoria do coletivo Imargem e envolvimento de diversos grupos locais, a programação nos bairros de Parelheiros, Grajaú e adjacências mostrará as riquezas culturais e naturais da região.

Fique de olho na programação completa da Virada.

A Reserva Biológica Tamboré e seu impacto na comunidade

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Reserva Biológica Tamboré. Foto: Instituto Brookffield.

Mais do que aproximar pessoas de uma realidade de cuidado com o meio ambiente, o Instituto Brookfield acredita na importância do trabalho realizado em rede. Há nove anos, além de gerir a Reserva Biológica Tamboré, o Instituto agrega pessoas, organizações e tece redes que constroem soluções e geram mais impacto no entorno dela. Sensibilizar a comunidade da importância da Reserva para todo o município é uma das principais atividades que permeia todo o trabalho.

Sobre isso, destacamos um trabalho que conhecemos de perto: o Programa de Preservação da Reserva Biológica Tamboré, com ações realizadas para conscientizar, enriquecer e preservar essa unidade de conservação que tanto beneficia a região.

“A principal contribuição do Instituto, além de realizar as ações técnicas e de manutenção na Reserva, é participar e fortalecer processos existentes e articular parceiros públicos, privados e sociedade civil da região para atuarem em conjunto, em prol da preservação da Reserva, da educação ambiental essencial para a coleta seletiva, para a proteção da área. Esta atuação em rede fortalece e sustenta todos os trabalhos”, explica Maria Oliveira, assessora socioambiental do Instituto Brookfield.

Conscientização

Para promover a conscientização em relação à preservação do meio ambiente e incentivar a participação da comunidade nas atividades propostas, em conjunto com a rede local, o Instituto criou diversas ações. Tudo isso para sensibilizar e engajar os diversos públicos que convivem com a Reserva. Confira algumas das atividades realizadas: campanhas contra incêndio; distribuição de materiais informativos e atendimento educativo no entorno; palestras de educação ambiental para fornecedores que desenvolvem trabalhos na Reserva; palestras educativas em obras no entorno da Reserva; mutirões de limpeza no entorno da Reserva.

O engajamento das escolas da região integra as ações educativas do Programa de Preservação da Reserva Biológica Tamboré, coordenado pelo Instituto Brookfield. A Escola Castanheiras, Colégio Ursinho Branco e o Colégio Pentágono são alguns parceiros que fazem parte deste histórico de sensibilização e mobilização da comunidade para a proteção da Reserva. Além da contribuição de conteúdo, o Programa teve participações de profissionais especialistas no assunto, que foram entrevistados pelos alunos.

Educação ambiental e coleta seletiva

Com o objetivo de aumentar a participação dos moradores de Santana de Parnaíba na coleta seletiva, o Instituto foi um dos parceiros que atuou na facilitação dos trabalhos da Avemare e do Grupo de Educação Ambiental (GEA) da cooperativa, contribuindo para a profissionalização e expansão das atividades educativas.

Este processo contou com metodologias de trabalho participativas, construídas com a colaboração dos públicos de relacionamento e envolveu diversas formações assim como a elaboração de materiais para viabilizar os processos educativos. Atualmente, o Instituto Brookfield apoia a parceria na divulgação dos seus trabalhos.

Benefícios da Reserva

Na parte direta de preservação local, dentro do Plano de Gestão Ambiental da Reserva Biológica Tamboré, o Instituto Brookfield realiza ações técnicas que contemplam a recuperação geodinâmica do solo, o manejo florestal e a conservação da água. “Nós monitoramos a qualidade das microbacias da Reserva, conseguimos reduzir os processos erosivos, recuperamos áreas degradadas e enriquecemos a flora, inclusive com espécies frutíferas”, conta Elifas Alves, técnico da Reserva.

Os benefícios da Reserva para a região são muitos. Além de contribuir para a biodiversidade local, com mais de 100 espécies vegetais e de aves identificadas, ela funciona como um grande ar condicionado para a região (melhora a qualidade do ar e as condições do clima), favorece as condições das nascentes e contribui para o aumento da concentração de avifauna, funcionando como um grande refúgio urbano.

Elifas destaca um dos pontos positivos da Reserva que envolve a questão da água. “Importante dizer que a Reserva faz a parte dela para cuidar do Rio Tietê: todas as nascentes das microbacias da Reserva, com ótima qualidade de água (monitorada), escoam diretamente para ele. Assim, a Reserva tem um importante papel na diluição dos poluentes do rio. As nascentes também são responsáveis pela subsistência do bioma da Reserva; estimulam a precipitação de água na cidade; contribuem para a recarga dos córregos, do leito dos rios e do próprio lençol freático da região”.

Publicado no dia 5/06/2015 – Dia do Meio Ambiente
Atualizado no dia 16/09/2016

Vamos transformar o mundo em um Oasis?

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Por Natasha Mendes Gabriel, Mariana Gauche Motta, Rodrigo Alonso Rubido*

A trajetória do Instituto Elos vem sendo construída há 15 anos, baseada no trabalho com comunidades e jovens no Brasil e em outros países. Em todas as etapas deste percurso, sempre convidamos as pessoas a saírem da posição de alguém que espera que algo aconteça, para serem capazes de descobrir o próprio poder de realização e o prazer de serem transformadores de suas histórias. O Jogo Oasis, desde 2003, é uma de nossas tecnologias sociais mais eficazes para dar forma ao nosso propósito.

O Oasis identifica os sonhos coletivos e junta moradores, parceiros, poder público, para a construção de novas relações (Fotos: Instituto Elos/Estúdio Luzia)

O nome Oasis foi inspirado nos livros de história, porque ele oferece a imagem de esperança, refúgio e estabilidade para viajantes cansados no deserto. A ideia central é a de que nosso mundo está cheio de vastos “desertos”: regiões e comunidades onde, social e/ou ambientalmente, a vitalidade foi destruída. Mas, sem dúvida alguma, nesses lugares, ainda existem pontos de luz cheios de esperança, beleza e alegria.

Quando o sonho coletivo é legítimo, todos se unem a partir de suas melhores versões e talentos (Fotos: Instituto Elos/Estúdio Luzia)

O jogo tem a intenção de revelar mais desses pontos de luz pelo mundo, estimulando uma cultura de cuidado cotidiano com o outro e com o lugar onde vivemos. Uma comunidade pode trabalhar junta, de forma cooperativa, imaginativa e rápida, para construir um Oasis moderno – um espaço físico que promova vida, alegria e restauração.

As crianças são sempre as primeiras a chegar para colocar a mão na massa do Oasis, inspirando os outros participantes (Fotos: Instituto Elos/Estúdio Luzia)

Ao convidar um grupo de pessoas a construir um sonho coletivo juntamente com uma comunidade, o jogo promove, de forma didática e divertida, a união de três elementos: Filosofia Elos, aplicação da tecnologia social (dinâmica de jogo) e a conexão das redes sociais.

A prática se realiza a partir da vivência das sete disciplinas da Filosofia Elos. A tecnologia social possibilita um processo de mobilização e organização de grupos, por meio de uma dinâmica lúdica de vivência em comunidade. As redes sociais são elemento para conexão e intercâmbio dos jogadores e comunidade, e uma série de parceiros interessados em colocar a mão na massa para que a transformação aconteça por uma visão ampla.

O Jogo Oasis tem sete etapas, cada uma com um desafio específico para os participantes

A dinâmica do jogo é a de ondas crescentes de indivíduos, grupos e instituições, que se articulam de forma espontânea, autônoma e criativa, e saem às ruas para cuidar cooperativa, amorosa e cotidianamente da revitalização, do embelezamento e da sustentabilidade de diferentes lugares. Nesta visão, a soma de todos os recursos individuais constrói a abundância de que precisamos para transformar o mundo.

De 2003 a 2008, o Elos realizou oito Oasis. Quando se tornou uma ferramenta de uso livre, em 2009, impactou de forma definitiva o número de disseminadores e o número de ações realizadas e, hoje, o total de Oasis registrados chega a mais de 270. Ao todo, 25 mil pessoas se envolveram diretamente no jogo. Estimamos que cada Oasis realizado dê origem a espaços e equipamentos de uso comum, com potencial de beneficiar indiretamente cerca de 200 pessoas, e, com isso, chegamos a atingir 53 mil pessoas ao redor do mundo.

O Movimento Oasis é mundial, e foram realizados mais de 270 ao redor do mundo

Vale ressaltar que, mais do que a construção material de espaços, de praças, o Oasis é um meio para que os envolvidos possam compreender como cada um pode recuperar sua capacidade de transformação. Por esta razão, fomos premiados com segundo lugar do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais, na categoria Gestão Pública.

Mesmo com todas estas conquistas, faz parte do jeito Elos de fazer acontecer o mundo que todos sonhamos, o aperfeiçoamento constante do jogo, e, entre nossos planos, está em desenvolvimento uma plataforma virtual, que sirva de apoio e facilite para quem quer jogar Oasis.

*Natasha Mendes Gabriel, Mariana Gauche Motta e Rodrigo Alonso Rubido são cofundadores do Instituto Elos.