Mude para o mundo mudar

Urbanista e geógrafo criam iniciativa para revitalizar os rios de São Paulo

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Existem diversos rios espalhados pela cidade de São Paulo, embaixo dos concretos. Existe também um movimento de pessoas preocupadas em mostrar essa novidade para as pessoas. O Projeto Rios e Ruas, idealizado pelo urbanista José Bueno e o geógrafo Luiz de Campos Jr., tem essa missão. “Quando fomos apresentados um ao outro, percebemos o potencial que a temática dos rios teria se fosse formatada de um jeito emocionante e lúdico”, conta José Bueno.

E foi assim que os dois desenvolveram o projeto. De acordo com eles, em qualquer lugar de São Paulo, a menos de 200 metros de distância, há um curso d’água. A iniciativa Rios e Ruas está presente em encontros, seminários, palestras, oficinas e, principalmente, expedições pela cidade. “A partir delas, os participantes têm a oportunidade de compreender e sentir a realidade de centenas de cursos d’água ocultados da percepção cotidiana, fazendo com que ganhem, de imediato, uma nova visão sobre a cidade onde vivem”, conta Luiz de Campos.

Os resultados do trabalho de conscientização dos moradores já são percebidos. “As águas e os rios ocultos da cidade estão emergindo na percepção do paulistano e, cada vez mais, as pessoas se referem aos rios como uma realidade presente e não como uma memória passada; formamos uma grande rede de interessados nessa temática nos últimos anos, integrada por jornalistas, empreendedores sociais, artistas, cineastas, políticos e – principalmente – novas iniciativas e coletivos, formados por pessoas comuns que têm se tornado verdadeiros ativistas”, destaca José Bueno.

Para Luiz de Campos, isso tudo não se trata exatamente de “mudar o mundo”. “Trata-se da convicção de que a força das mudanças não vem do discurso ou das grandes ações e projetos, mas, antes, das ações sinceras, cotidianas e significativas das pessoas comuns, que geram empatia e contagiam o comportamento e ações de outras pessoas”, afirma.

Quando falamos de inspiração para o seu trabalho, José Bueno destaca os pequenos gestos. “‘Sonhar grande. Fazer pequeno. Começar logo.’ Essas três frases me inspiram a deixar a queixa ou revolta de lado e agir proativamente para melhorar a qualidade de vida em São Paulo por meio de múltiplas ações que visam ampliar a consciência e a percepção humana.”

Na prática

Instituto Brookfield: O que o cidadão comum pode fazer para cuidar dos rios de São Paulo?
Luiz de Campos:
Toda e qualquer ação, por menor que seja, pode dar início a uma transformação. São muitos os exemplos que temos visto de ações iniciadas por um pequeno grupo de pessoas e que têm tido grande repercussão. Desde a abertura e revitalização de pequenas nascentes – como fizemos nas nascentes do riacho Iquiririm, no Butantã – até a recuperação de praças inteiras, com criação de pequenos lagos, como a feita pela comunidade da Praça da Nascente, na Pompeia.

Instituto Brookfield: Quais são os próximos passos do Projeto Rios e Ruas?
José Bueno:
Existem diversas ações em andamento para as quais estamos procurando apoios para realizar no ano que vem: levar a Mostra Rios e Ruas para o Parque Ibirapuera; a continuidade e ampliação do Circuito Rios e Ruas de corridas e caminhadas por todo Brasil; a produção de três diferentes livros; além da continuidade das expedições e oficinas abertas ao público em geral.

Instituto Brookfield: Como fazer para participar do projeto Rios e Ruas?
Luiz de Campos:
Para conhecer e participar das expedições, oficinas, cursos, palestras e outros eventos que promovemos ou participamos, o melhor é acompanhar nossa página no Facebook ou nosso blog. Para interagir diretamente com os membros da rede ligada a iniciativa, temos também um grupo no Facebook: http://goo.gl/6EGMKG.

Luiz de Campos e José Bueno são exemplos de pessoas inspiradoras da campanha Eu Preservo, do movimento Mude para o mundo mudar. Quer conhecer outras histórias positivas de pessoas que partiram para a ação? Entre na nossa galeria de exemplos e inspire-se!

Mude para o mundo mudar

Suzana Pádua, do IPÊ, conta como colabora para mudar o mundo

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O exemplo que trazemos hoje, continuando o movimento Mude para o mundo mudar, é o da educadora ambiental, cofundadora e atual presidente do Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ, Suzana Pádua. O IPÊ é a terceira maior ONG ambiental do Brasil.

O Instituto nasceu em 1992, graças a Suzana e seu marido, Cláudio Pádua, movidos pelo sonho de mudar o mundo. Juntos, eles criaram o IPÊ, que, atualmente, beneficia mais de 10 mil pessoas e atua em cinco áreas do país, na Mata Atlântica, Amazônia e Pantanal, e desenvolve cerca de 40 projetos por ano. Em 2009, o casal venceu o Prêmio Empreendedor Social 2009, realizado pela Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Schwab.  “Trabalhamos com espécies ameaçadas, recuperação de áreas degradadas, alternativas de renda para comunidades locais, práticas de plantio sem o uso do fogo e sistemas agroflorestais que beneficiem gente e natureza”, conta Suzana.

O casal começou focado em salvar a biodiversidade brasileira, mas sentiu que era preciso ampliar a atuação, na tentativa de responder aos desafios comuns do mundo real. “O social e o ambiental são inseparáveis. Não se pode salvar o mico-leão-preto sem se levar em conta a melhoria da vida humana de populações que se encontram ao redor dos seus habitats naturais.conta Suzana.

Confira a conversa que tivemos com Suzana sobre seu trabalho no IPÊ:

Instituto Brookfield: Quais são as maiores vitórias desse trabalho?
Suzana: Na minha visão, é a formação de pessoas. Estimula-las a descobrirem que são capazes de desenvolver projetos que mudam realidades é muito gratificante e necessário. O Brasil é um dos países com maior potencial de promover um novo modelo de desenvolvimento que leve a sustentabilidade em consideração. Mas, para que isso aconteça de fato, precisamos de gente – pessoas com boa formação e aptas a inovarem e a ousarem novos caminhos. Por acreditar nessa premissa que o IPÊ passou a ter um forte pilar na educação, promovendo cursos de curta duração em áreas que consideramos importantes para que projetos de excelência sejam realizados. Dessa iniciativa, nasceu nossa ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, onde oferecemos, além dos cursos de curta duração, Mestrado Profissional em Conservação e Sustentabilidade, reconhecido pela CAPES – MEC, e MBA em Gestão de Negócios Sustentáveis, que tem como objetivo influenciar o setor privado com a noção da sustentabilidade. Queremos formar uma massa de profissionais de alto nível, capazes de pensar interdisciplinarmente, para que possam melhor responder à complexidade das questões socioambientais dos tempos atuais.

Instituto Brookfield: Como é, para você, após tantos anos de trabalho, ver esses resultados positivos?
Suzana: A sensação é boa – sinto que a vida vale a pena. Mas ainda tem tanto que queremos alcançar! O mundo não está melhor no correr dos anos, e nosso empenho precisa ser melhor a cada dia! Há uma volúpia por crescimento econômico, mas são poucos os tomadores de decisão que levam a sustentabilidade planetária em conta. As contas não fecham e o meio ambiente está cada vez mais deficitário, sendo que nem a sociedade ganha com isso. São poucos os que ganham, e reverter esse quadro inglório de desenvolvimento é um desafio que temos que enfrentar. Enquanto estivermos vivos e atuantes, vamos continuar buscando caminhos que respondam aos nossos anseios de atingirmos um mundo mais ético, equitativo e sustentável.

Instituto Brookfield: O que a inspira a continuar?
Suzana: Não sei mais ficar inerte. As questões socioambientais entram em nosso DNA, e a atenção com o planeta se tornou uma constante. O que me inspira são as necessidades que emergem a cada dia, com as crises e os desastres que aparecem com maior frequência na modernidade. Essas nos movem pela necessidade de sermos atuantes. Mas o que me inspira de verdade é a beleza do planeta e dos sistemas vivos. Esses devem ser apontados, ensinados e divulgados desde a infância, para que despertem o amor e o deslumbramento que deveríamos nutrir por tudo o que faz parte da vida. Só assim, vamos deixar de priorizar o que é bom individualmente para escolhermos o que favorece a coletividade – humana e não humana – e a vida em geral!

Instituto Brookfield: Qual é o seu sonho?
Suzana: Meu sonho é que não fosse mais necessária a existência de instituições como o IPÊ e tantas outras que lutam por algo que deveria ser óbvio para todos. Acordar um dia com os problemas socioambientais solucionados seria o ideal. Mas, enquanto isso não acontece, sonho em fortalecer o IPÊ cada vez mais, garantindo uma continuidade à instituição, aos projetos, e formando gente que inicie e desenvolva programas que respeitem a vida como um todo. A criatividade humana é ilimitada, e vale a pena investir no potencial que temos de transformar o mundo.

Mude para o mundo mudar

Bióloga muda de vida e luta pela preservação das aves

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Em um dado momento da sua vida, Tatiana Pongiluppi, ornitóloga, sentiu que precisava ir além do trabalho que realizava. Na época, seu foco era na área de virose de aves, mas sua ideia era fazer algo mais prático para a conservação desses animais.

“Mudei e comecei a fazer isso como voluntária da SAVE Brasil, em 2007, auxiliando nos projetos de educação ambiental voltados às aves”, contou. Atualmente Tatiana trabalha na organização SAVE Brasil, em prol da conservação das aves, em várias regiões do Brasil. “Acredito que, por meio da educação, é possível inspirar as pessoas e criar uma nova aliança entre os seres humanos e a natureza, mudando os seus olhares, atitudes e comportamentos com relação à preservação”, diz.

Bons frutos da profissão

O que mais inspira Tatiana é a beleza das aves e o sorriso no rosto das pessoas. “Saber que estou trabalhando para um bem coletivo e que o meu trabalho não tem apenas um impacto na minha conta bancária é o que mais me motiva!”, conta.

Durante sua jornada, Tatiana destaca algumas vitórias. Em especial, o projeto de conservação da Serra do Urubu, localizada em Pernambuco. “A região tem um dos fragmentos mais importantes de Mata Atlântica para conservação das aves, além da rica e única biodiversidade que habita a região. Antes do nosso trabalho, poucas pessoas conheciam a Serra do Urubu e sabiam da existência de uma floresta tão importante na cidade. Após alguns anos, a área é divulgada no site da prefeitura da cidade, várias escolas já fizeram visitas, e muitas pessoas passaram a conhecer e entender a sua importância para a qualidade de vida no município”, detalha.

Você também pode ajudar na preservação

A bióloga afirma que existem várias ações simples que as pessoas podem praticar para preservar as aves. “É importante que as pessoas não apoiem a prática de caça e captura de aves, nem contribuam com o comércio ilegal para tê-las em casa. Você pode atrair as aves por meio de comedouros e árvores frutíferas, observá-las, colocar os 5Rs em prática (reciclar, reutilizar, repensar, recusar e reduzir), e compartilhar essas informações com os amigos e familiares”, aconselha.

Tatiana é um dos exemplos da campanha Eu Preservo, do movimento Mude para o Mundo mudar. A iniciativa é do Instituto Brookfield para compartilhar boas atitudes. Conheça outras histórias de quem não ficou parado e mudou para melhorar o mundo.

Mude para o mundo mudar

Paulistano luta pela revitalização das nascentes da sua cidade

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“Existe muita água em São Paulo. Há nascentes de água limpa pela cidade que poderiam ser utilizadas e rios possíveis de se recuperar”, afirma Adriano Sampaio, corretor de seguros e participante do coletivo Ocupe e Abrace. Essa afirmação pode chocar muitos, mas ele faz questão de compartilhar suas descobertas por meio de vídeos que faz durante sua luta pela revitalização das nascentes de São Paulo. Adriano é um dos exemplos da campanha “Eu preservo”, do movimento “Mude para o mundo mudar”.

Adriano resolveu filmar as principais nascentes de São Paulo e mostrar que existe muita água na cidade. Sua plataforma para mostrar esse material de conscientização é a página “Existe água em SP”, no Facebook. “Comecei a filmar sozinho, mas agora tenho ajuda de alguns amigos que fazem mapas para fazermos expedições pela cidade em busca das nascentes. O que me inspira é poder sonhar em ter os rios de São Paulo de volta, limpos e com vida!”, detalhou.

“Marcamos mutirões por Facebook ou e-mail. Muita gente tem abraçado essa luta que aumenta a cada dia: o projeto Rios e Ruas, o coletivo Ocupe & Abrace, o pessoal do Morro do Querosene e outros que estão engajados na recuperação das nascentes da cidade”, contou.

Adriano já participou da recuperação das nascentes do córrego Água Preta e da criação de um lago na Praça da Nascente. “Além disso, estamos recuperando as nascentes do Iquiririm e também da Chácara da Fonte, no Butantã. A tendência é que esse movimento cresça”, disse.

Como Adriano fica sabendo das nascentes? Ele conta que é no boca a boca, por mapas, e andando muito pela cidade. “É uma verdadeira aventura. É muito emocionante descobrir essas nascentes, muitas vezes esquecidas, enterradas, canalizadas, limpas e sujas. Por causa da crise d’água em São Paulo, as pessoas têm se interessado muito por essa questão”.

Mude para o mundo mudar

Campanha destaca pessoas que lutam pela preservação do meio ambiente

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Nesta terça-feira (09/09), iniciamos a campanha “Eu preservo”, do movimento “Mude para o mundo mudar”, do Instituto Brookfield. A iniciativa tem o objetivo de compartilhar, nas redes sociais, histórias de pessoas que lutam pela preservação da natureza. Nosso primeiro exemplo do “Eu preservo” é o caso de amor entre Elifas Alves e a Reserva Biológica Tamboré, localizada em Santana de Parnaíba (SP).

Elifas é técnico da Reserva há seis anos. Seu trabalho é monitorar toda a área, com vistorias constantes pelas trilhas em seu interior. Além do trabalho prático de monitoramento, ele realiza palestras com empreendimentos e empresas do entorno sobre a importância de preservar a Reserva.

Para ele, trabalhar na Reserva Biológica Tamboré é uma realização pessoal. “Sempre quis contribuir mais para ajudar na preservação e conservação dos biomas de forma mais efetiva. Acredito que nós conseguimos melhorar as condições da Reserva, conscientizar a população do entorno e mostrar a importância da unidade de conservação ecológica para o município. É importante conscientizar a população que cuidar da biodiversidade é papel nosso. A Reserva Biológica Tamboré é um bem de todos”, disse.

Conheça mais sobre a história de vida do Elifas e sobre seu trabalho na Reserva Biológica Tamboré:

Nos meses de julho e agosto, dentro do movimento Mude para o mundo mudar, compartilhamos histórias de pessoas que fazem a parte delas com a campanha “Eu renovo”. Confira a história de Iracilda, cooperada da Avemare.