Dicas de gentilezas para colocar em prática

Compartilhe:

Quantas gentilezas você já fez hoje? Na rua, na sua casa, no trabalho…enfim, nos lugares por onde você anda? No Dia Mundial da Gentileza, comemorado em 13 de novembro, o Instituto Brookfield destaca a importância de trazer esse cuidado diário com a nossa cidade.

Acreditamos que, ao cuidarmos das nossas ações, estamos também cuidando do próximo. E, ao fazermos isso em cada uma das nossas ações, estaremos também contribuindo para termos uma cidade mais feliz, com pessoas comprometidas em fazer cada vez melhor para todos. Essa é a ideia: gentileza realmente gera gentileza.

Com a cultura do “Faça você mesmo” e de que podemos, cada um de nós, estimular o cuidado com a cidade sem precisar da iniciativa do poder público, em 2014, criamos a campanha no Facebook chamada “Atitude Simples”. O objetivo é mostrar que as consideradas “pequenas e simples ações” podem realmente melhorar a nossa realidade e cuidar dos espaços em que vivemos e ocupamos.

Abaixo, inspire-se com algumas gentilezas para colocar em prática. Ao compartilhar, use a hashtag #AtitudeSimples.

BROOKFIELD-artes-compartilhar-atitudes-simples-bitucas-de-cigarro
Atitude Simples. Descarte bitucas de cigarro em um cinzeiro. Imagem: Instituto Brookfield.
BROOKFIELD-artes-compartilhar-atitudes-simples-bolso-POSTADO
Atitude Simples. Leve o lixo no bolso até encontrar uma lixeira.
BROOKFIELD-artes-compartilhar-atitudes-simples-capte-agua-chuva
Atitude Simples. Capte água da chuva para limpar a casa e regar as plantas. Imagem: Instituto Brookfield.
BROOKFIELD-artes-compartilhar-atitudes-simples-coleta-seletiva
Atitude Simples. Colabore na coleta seletiva do seu prédio. Imagem: Instituto Brookfield.
BROOKFIELD-Carnaval-atitudes-simples-turismo
Atitude Simples. Turismo consciente: respeite a natureza e os costumes locais.

 

O alerta de um educador ambiental

Compartilhe:

Por Osvaldo de Brito*

Como educador ambiental, sinto que preciso compartilhar algumas informações com vocês. Confesso que estou muito preocupado com os nossos hábitos.

Por volta do ano de 2009, quando ingressei como voluntário da Fundação SOS Mata Atlântica, sabia da existência de um grupo de voluntários que já realizava trabalhos de educação ambiental em escolas da zona sul de São Paulo, local estratégico próximo às represas Billings e Guarapiranga. Na época, já havia preocupação com as questões que envolviam o cuidado com a água e também com os resíduos sólidos produzidos próximos daqueles mananciais.

A crise hídrica já existia, mas pouco se falava sobre o assunto nos meios de comunicação, salvo algumas mídias especializadas em meio ambiente. Apesar de todos os transtornos e custos que temos hoje, ainda estamos longe de entender o tamanho do problema que envolve a falta d’água.

Enquanto muitos ainda pensam que temos água em abundância, outros buscam economizar. É difícil mudar os nossos hábitos e comportamentos da noite para o dia, mas não é impossível.

Outra questão grave é o lixo, esquecido como se tudo estivesse dentro da normalidade. Recentemente aprovada, a lei dos resíduos sólidos dá indício de que vai ser mais uma dessas leis que não pegam. Toneladas de materiais recicláveis vão parar em lixões a um custo altíssimo, uma situação pouco inteligente porque gastamos muito dinheiro para enterrar matéria prima que tem muito valor agregado.

Outro ponto que considero importantíssimo destacar é a falta de cuidado com os orgânicos. Muitas casas os descartam no mesmo recipiente dos recicláveis em vez de separá-los. Cada tipo de resíduos pode ganhar um destino correto e mais cuidadoso com o meio ambiente.

Em um processo simples de compostagem, os orgânicos viram adubo. Essa técnica pode ser feita no quintal de casa, individualmente, ou em grande escala, como em galpões e fazendas, dando origem a um adubo de excelente qualidade. Ao fazer isso, você deixa de gerar: gases de efeito estufa, contaminação do solo e da água, poluição do ar, criação de insetos e roedores, etc. Quando você mistura o lixo, saiba que os custos são enormes.

Fico otimista toda vez que me deparo com jovens e crianças discutindo e praticando sustentabilidade. Vejo que vale a pena continuar esse trabalho de educação ambiental. Não devemos cruzar os braços e esperar atitudes só dos governantes. Cada um de nós pode fazer só um pouquinho além da nossa obrigação para melhorar a vida nesse planeta…

*Osvaldo de Brito é taxista, permacultor, educador ambiental voluntário.

Minha vida após o lixo

Compartilhe:

Por Ionara Pereira Santos*

O que muita gente pensa que é lixo eu vejo como oportunidade e mudança de vida. Tudo mudou quando comecei a trabalhar na Cooperativa Avemare, em novembro de 2009. A minha mãe e minha irmã já trabalhavam lá enquanto eu trabalhava fazendo bicos de babá e faxineira. Aliás, lixo não é a palavra certa. Trabalho com materiais recicláveis com muito orgulho.

Minha vida antes da cooperativa era um pouco complicada. Meu primeiro filho veio aos 17 anos e, na época, ainda morava com minha mãe e meus irmãos em uma casa alugada. Tive muita dificuldade para conseguir um emprego fixo. Eu sentia que era por ser mãe jovem e menor de idade. A opção que encontrei para sustentar meu filho e ajudar com as despesas da casa foi ser babá.

A minha vida só melhorou mesmo quando entrei na cooperativa. Foi por meio dela que tive as melhores oportunidades da minha vida. Lá, pude me sentir e realmente ser uma mãe melhor para meu filho e ter meu primeiro emprego fixo. Tive que amadurecer rápido e, com a vivência na cooperativa, tive a felicidade de aprender com as outras cooperadas – todas mulheres experientes e cheias de lições para ensinar. Foi na cooperativa que conheci meu atual marido. Com ele, tive meu segundo filho e formei a minha própria família.

Assim que entrei, fui trabalhar na triagem dos materiais recicláveis. Fiquei três anos nessa função. Tive tempo para perceber o quanto a parte administrativa era interessante, e adorava ver a diretoria em ação, fazendo as assembleias, reuniões e direcionando a cooperativa.

A vontade de ser diretora veio com o tempo. Eu fazia questão de participar ativamente das assembleias, expor as minhas opiniões. Durante o tempo em que fiquei na triagem, surgiram algumas oportunidades de cargos na cooperativa. Aproveitei logo o primeiro: aceitei trabalhar no Grupo de Educação Ambiental da Avemare. Depois, fui coordenadora da produção e, em seguida, vice-presidente.

Em janeiro de 2013, a antiga diretoria fez uma assembleia para informar que o mandato havia acabado e saber quais cooperados queriam montar suas chapas para disputar a diretoria da cooperativa. Foi aí que eu e minha amiga Fabiana, que era também uma cooperada bastante engajada, montamos nossa chapa para disputarmos a eleição e ganhamos.

Eu me vejo hoje como uma pequena empresária, porque administro a cooperativa com mais quatro diretoras. Avancei muito profissionalmente! Consigo fazer coisas que antes não imaginava. Graças ao cargo em que estou hoje, sei fazer uma folha de pagamentos, negociações e reuniões com parceiros e empresários; penso em projetos para cooperativa; melhorei muito meu jeito de falar e meu comportamento com as pessoas; fiz alguns cursos que me ajudaram muito. Além disso tudo, agora sei dar palestras.

Cada dia é uma superação diferente. Aprendi a ser diretora, psicóloga e, muitas vezes, mãe dos cooperados. A minha maior superação foi aprender a lidar e a falar com cada tipo de pessoa, e me comportar adequadamente em cada situação. Tenho ainda que melhorar meu jeito bravo de ser, mas, dia após dia, eu tento corrigir e aprender com os meus erros. A equipe de diretoras da Avemare me ajuda muito. Uma ajuda a outra o tempo inteiro.

Claro que não conseguiria fazer nada disso sozinha. Aprendi que ninguém conquista nada sozinho e que, quando estamos em união, ultrapassamos qualquer barreira. Tive a força de parceiros que ajudaram a nossa diretoria a se profissionalizar. Cresci profissionalmente e pessoalmente. Hoje, tenho orgulho de dizer que sou uma pessoa melhor graças à Avemare: sou melhor como mãe, esposa, e uma mulher cheia de sonhos pela frente.

*Ionara é presidente da Cooperativa de Materiais Recicláveis Avemare.

Cooperativa Avemare realiza evento de prestação de contas para a comunidade

Compartilhe:

Na noite do dia 12 de junho, os materiais recicláveis coletados pela Cooperativa de Materiais Recicláveis Avemare tiveram um destaque diferente do que costumam ter diariamente: o palco. Tudo isso porque os cooperados prepararam um desfile de roupas criadas por eles próprios e confeccionadas com materiais recicláveis. O desfile aconteceu durante o evento de Prestação de Contas de 2014 da cooperativa, no Teatro Municipal de Santana de Parnaíba (SP). O encontro teve a presença de moradores e parceiros.

O evento tem o objetivo de informar a sociedade sobre o trabalho que tem sido feito na cooperativa. “Nós contamos que os resultados positivos que tivemos só aconteceram graças à ajuda de todos. Apresentamos também a nossa história e o nosso dia a dia com o objetivo de incentivá-los a espalharem essa informação para outras pessoas também. Ao terem noção da importância da destinação correta do material que descartam, eles impactam não só a vida dos cooperados que sobrevivem da coleta, mas também a contribuição para a redução do impacto negativo no meio ambiente, melhor para todos”, disse Ionara dos Santos, presidente da cooperativa.

Durante a apresentação, Ionara destacou várias vitórias da cooperativa. Em 2014, foram coletadas 4.616.367 toneladas de materiais recicláveis. Outra vitória foi a assinatura de contrato de prestação de serviços para a Prefeitura de Santana de Parnaíba, fato que contribuiu para uma série de melhorias na cooperativa como: ampliação da coleta seletiva, aumento da quantidade de cooperados e mais oportunidades de parcerias.

O desfile

A atração principal da noite foi o desfile dos cooperados com roupas feitas de material reciclável, como plásticos, guarda-chuva, banner, jornais, disquete e  teclados de computador. A ideia era mostrar, mais uma vez, a valorização do material reciclável, apresentando um novo olhar sobre o lixo. Todas as roupas foram confeccionadas pelos próprios cooperados da Avemare, que também encararam a passarela.

Carla Andrade, cooperada, desfilou com um vestido feito de tiras de fita cassete. “O desfile foi um momento muito especial para mim. Cada desfile tem seu próprio brilho. Fiquei nervosa no começo, mas me senti melhor quando estava na passarela. Ali era o meu momento de brilhar”, contou.

Confira, abaixo, alguns números apresentados na Prestação de Contas da cooperativa.

Números da Avemare hoje

  • 450 toneladas de materiais coletados/mês
  • 300 toneladas de materiais comercializados/mês
  • Mais de 1 milhão em equipamentos
  • 86 cooperados
  • Faturamento mensal de R$ 180.000,00
  • Despesas de até R$ 50.000,00 a R$ 60.000,00
  • Renda média de R$ 1.300,00 por cooperado
  • Todos os cooperados são assegurados pelo INSS
  • Café da manhã, almoço e jantar diariamente
  • Férias remuneradas de 15 dias
  • Folga de aniversário e R$ 70 de presente

Empreendedora cria Instituto para cuidar de resíduos orgânicos

Compartilhe:

Enquanto muitos focam em cuidar dos materiais recicláveis, Fernanda Danelon, jornalista e empreendedora, busca soluções para resíduos orgânicos. Para entender essa inspiração do exemplo de hoje do “Eu Transformo”, do Movimento Mude para o mundo mudar, é importante conhecer um pouco da história de vida dela.

Fernanda nasceu em São Paulo e sempre teve contato com a natureza e os animais. “Meu equilíbrio interno sempre passou pela convivência com a natureza, pratico jardinagem e tenho horta desde criança. Como jornalista, me especializei em sustentabilidade, gestão do terceiro setor, Agroecologia”, disse.

Há dois anos, o envolvimento com esses temas a inspirou a criar o Instituto Guandu, que nasceu de um sonho. “No meu sonho, o homem urbano contemporâneo convive em harmonia com a natureza e os outros cidadãos. Encontrar caminhos que preservem o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas nas grandes cidades é tarefa fundamental para o desenvolvimento da humanidade”, contou.

O Instituto Guandu é um modelo de negócio de impacto socioambiental que promove a coleta seletiva de resíduos orgânicos, transforma esse lixo em adubo através de uma biotecnologia de compostagem otimizada (licenciada do laboratório mineiro Bioideias) e mantém hortas urbanas orgânicas, fechando o ciclo “do prato ao prato”.

“Queremos oferecer solução ambiental para a grande quantidade de lixo orgânico produzido nas cidades (só em São Paulo, são sete mil toneladas/dia); criar hortas orgânicas em escolas públicas e postos de saúde; fomentar a agricultura urbana orgânica e promover a Segurança Alimentar”, detalhou Fernanda.

Abaixo, confira o bate-papo que tivemos com Fernanda:

Instituto Brookfield: Como é sua rotina dentro do Instituto?
Fernanda: Faço de tudo. Como todo empreendedor, acompanho todas as fases do trabalho, da coleta à manutenção das hortas (no início, por oito meses carreguei o lixo no porta-malas do meu carro). Eu ajudo na compostagem, que é um processo muito difícil, até porque tratamos qualquer tipo de resíduo como carnes e gorduras e ossos; ajudo na semeadura e plantio de novas mudas, assim como na criação da marca, com estratégias de vendas e marketing, passando pelo trabalho voluntário de oficinas de hortas caseiras e participação de grupos para criação de novas políticas públicas, como o MUDA-SP e a Frente Parlamentar pela Agroecologia e Agricultura Orgânica no Estado de São Paulo.

Instituto Brookfield: Como é cuidar dessa iniciativa?
Fernanda: É muito difícil. Nossa proposta é pioneira, não só no Brasil como no mundo. É preciso criar políticas públicas e abrir um novo mercado, tarefas árduas, que exigem muita fé, persistência e transformação interna.

Instituto Brookfield: Qual é o seu sonho atual?
Fernanda: Minha paixão mesmo é conseguir montar hortas comunitárias a partir do lixo das pessoas em situação de vulnerabilidade social, mas para isso preciso montar uma usina urbana para tratar centenas de toneladas de resíduos orgânicos que iriam para aterros e lixões. Estou caminhando, um passo de cada vez! Descobri que a resiliência e a persistência são ótimas parceiras! Conseguimos alugar um galpão em São Paulo e vamos montar a usina lá. Em frente, uma favela cheia de lixo.