Saiba como ajudar na preservação das aves

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Registro feito pela ornitóloga Tatiana Pongiluppi.

As aves estão por aí, mas você sabe o que fazer para preservá-las?

Segundo a ornitóloga Tatiana Pongiluppi, as aves, além de sua beleza e cantos que nos encantam, são de extrema importância para as áreas verdes em diversos processos. Podemos destacar a atuação delas na dispersão de sementes, atuando como agricultoras e plantando árvores pela cidade, na polinização, no controle de insetos e como indicadores ambientais, servindo de termômetro para o planejamento de arborização urbana.

Confira o bate-papo que o Instituto Brookfield teve com Tatiana e algumas dicas de preservação.

Instituto Brookfield: Como as pessoas podem contribuir para a preservação das aves nas cidades?
Tatiana: Uma das melhores formas é criar ambientes para as aves dentro da cidade, em quintais, praças e até mesmo nas sacadas de apartamentos. Isso pode ser feito com o plantio de árvores frutíferas e com flores que atraiam aves. Além de servir como alimento, as árvores servem como abrigo e local para a construção de ninhos. Também, podem ser instalados comedouros, bebedouros e caixas ninho para atrair as aves e complementar sua alimentação. Mas é preciso tomar cuidados diários com a higiene dos bebedouros e prover frutas, como banana, abacate e mamão nos comedouros. Algumas plantas interessantes para atrair aves são a pitangueira, aroeira, palmeira-juçara, ingá, eritrina e capororoca.

Instituto Brookfield: De que forma o crescimento urbano interfere na sobrevivência das aves?
Tatiana: O crescimento urbano, em geral, reduz as áreas verdes. Consequentemente, reduz os locais para abrigo e ninho, além de recursos alimentares para diversas espécies de aves, impossibilitando a sua sobrevivência nessas áreas.

Instituto Brookfield: O que fazer se alguém encontrar um pássaro ferido?
Tatiana: Quando encontrar uma ave ferida, o ideal é procurar o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) e outras instituições mais próximas que recebem animais silvestres para recuperação. Essas instituições contam com profissionais especializados em recuperar aves e devolvê-las para a natureza.

Instituto Brookfield: Quais são os melhores locais para fazer observação de aves?
Tatiana: As aves estão por toda parte, nas casas, nas praças e nas florestas. Em São Paulo, bons lugares para observar aves são o Parque do Ibirapuera, Parque do Carmo, Parque Ecológico do Tietê, Jardim Botânico, Instituto Butantan, Parque Nove de Julho e Parque Estadual da Cantareira. Fora da cidade, ótimos lugares são a Trilha dos Tucanos, em Tapiraí (SP), Tanquã, em Piracicaba (SP) e Parque Estadual Intervales, em Ribeirão Grande (SP), Campos do Jordão (SP) e Praia do Guaraú, em Peruíbe (SP).

Instituto Brookfield: Para que as pessoas possam aprender mais sobre aves, quais livros você indica?
Tatiana: Indico os livros “Ornitologia Brasileira”, de Helmut Sick, e o “Guia Aves do Brasil: Mata Atlântica do Sudeste”, com autores reunidos pela Wildlife Conservation Society. Alguns sites também são ótimos para aprender sobre as aves, como o Wikiaves, eBird Brasil e o Táxeus.

Aves da Reserva: tangará e chupa-dente

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Destacamos duas aves observadas, frequentemente, durante as vistorias feitas na Reserva Biológica Tamboré, em Santana de Parnaíba (SP): o tangará e o chupa-dente, que estão no Guia das Aves da Reserva.

Tangará (Chiroxiphia caudata)

Tangará (Chiroxiphia caudata) - Vale do Ribeira, Registro, Sao Paulo, Brasil-Dario Sanches / Creative Commons
Tangará (Chiroxiphia caudata) – Vale do Ribeira, Registro, Sao Paulo, Brasil- Dario Sanches / Creative Commons

O tangará (Chiroxiphia caudata) tem cerca de 13 centímetros e apresenta forte dimorfismo sexual. As fêmeas são verde-escuras e têm cauda mais longa que a dos machos, o que as torna ligeiramente maiores que eles. Por causa da cor, as fêmeas são mais difíceis de serem observadas por meio da vegetação. Além disso, elas também são mais silenciosas. Já os machos têm plumagem azul-celeste, cauda preta com duas penas centrais mais longas que as outras e, no alto da cabeça, uma coroa vermelha. Eles se alimentam de frutos, aranhas e pequenos insetos.

-Curiosidade:
Na época da reprodução, os machos se reúnem para exibições coletivas para as fêmeas. É a típica dança pré-nupcial – os machos formam uma fila em um galho e fazem as suas respectivas exibiçõs para a fêmea (um de cada vez). Após a execução do rito, cada um volta ao fim da fila e espera a vez para repetir a exibição.

Chupa-dente (Conopophaga lineata)

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Chupa-dente. Foto: Dario Sanches / Creative Commons

 

O chupa-dente, conhecido também como chupa-dente-marrom e samoco, tem entre 11,5 e 14 centímetros de comprimento e pesa entre 16 e 27 gramas. É uma espécie que tem o hábito de procurar o alimento próximo ao solo. Seu ninho é construído a pouca altura do chão.

– Curiosidade
Na época de reprodução, quando o chupa-dente costuma cantar, o macho produz, no crepúsculo, um ruído forte: “brrro-brrro-brrro”. Quando está fora do acasalamento, ele voa silenciosamente.

Com informações da WikiAves e do Guia das Aves da Reserva Biológica Tamboré