Líder comunitário se dedica à preservação da Reserva Cazumbá, no Acre

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Nenzinho na Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema. Foto: Arquivo pessoal.

 

Em busca de Guardiões de Reservas — pessoas que se dedicam a preservar essas áreas verdes, encontramos Aldeci Cerqueira Maia, o Nenzinho, como é popularmente conhecido. Durante muitos anos, ele liderou o processo de organização comunitária que resultou na criação da Reserva Extrativista (Resex) do Cazumbá-Iracema, localizada no estado do Acre. Ela foi reconhecida e oficializada por meio do Decreto Presidencial s/n, de 19/09/2002, que garantiu a preservação de uma área superior a 750 mil hectares de Floresta Amazônica nos municípios de Sena Madureira e Manuel Urbano, à época, a segunda maior Reserva Extrativista do Brasil.

A Resex é considerada um exemplo de reserva que concilia os conceitos de uso responsável dos recursos naturais e a conservação da biodiversidade, com projetos que visam garantir o desenvolvimento sustentável das comunidades locais que vivem do extrativismo de castanha-do-Brasil, agricultura e pecuária de subsistência, pesca, artesanatos de borracha e sementes. Um deles é o Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia, do qual a Resex faz parte, e Nenzinho é um dos colaboradores na parte da fauna terrestre.

Como tudo começou

Nenzinho nasceu em 1962, na colocação (nome dado a determinada área de terra ocupada por uma família de seringueiros) Cazumbá, no Seringal Iracema, zona rural do município de Sena Madureira, no Acre. Começou a trabalhar cedo, aos 8 anos, acompanhando seu pai no corte da seringueira. Seguiu na atividade durante boa parte de sua vida, até 1985. Criou seus quatro filhos com renda proveniente do extrativismo, junto com a companheira Maria.

“Trabalhei toda a sensibilização das famílias para a criação da Resex Cazumbá Iracema. Foi então que comecei a trabalhar na gestão dela, onde estou até hoje”, conta. Segundo ele, o que o motivou foi a vontade de cuidar das famílias que moram no local, preservar a cultura dos extrativistas, suas formas de vida e estar por dentro de todos os processos de gestão da Reserva.

Em Sena Madureira, Nenzinho foi uma das principais lideranças do movimento seringueiro, que organizou “empates” para impedir a criação do Projeto de Assentamento Boa Esperança, no Seringal Iracema. Empate é o nome dado à mobilização de seringueiros que visa impedir a derrubada da floresta. De mãos dadas, eles formavam correntes humanas e cercavam a área que seria derrubada, impedindo que os trabalhadores contratados realizassem o corte das árvores. Assim, “empatavam” a derrubada e garantiam a manutenção da floresta em pé. O projeto não foi aceito pela Comunidade do Cazumbá, em razão dos impactos sociais, ambientais e econômicos que traria.

Hoje, Nenzinho atua na gestão participativa da Reserva. “Meu trabalho principal é atender ao público. Busco melhorar os conhecimentos das pessoas levando a educação para todas as famílias, para que possam valorizar o que é delas. Ofereço, também, novas alternativas que vêm do extrativismo, melhorando a renda de quem mora na região. De forma voluntária, sou presidente da Associação dos Moradores da Resex.”

Reconhecimento

Em reconhecimento à sua dedicação, ele já recebeu diversos prêmios nacionais, como o Prêmio Histórias de Sucesso, do SEBRAE, e o Prêmio FORD de Conservação Ambiental. Além desses, recebeu também alguns prêmios por meio da Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá, da qual é idealizador e presidente. “É muito bom ser reconhecido por algo que a gente faz com amor. Meu maior troféu é preservar e desenvolver, de forma sustentável, os saberes, as crenças e os valores deste povo. Meu sonho é transmitir meus conhecimentos para meus descendentes, para as pessoas que vão dar continuidade a esta história”, afirma.

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