Mata Atlântica: conheça 3 espécies ameaçadas de extinção

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Reserva Biológica Tamboré vista de cima - abriga inúmeras espécies animais e vegetais típicos da Mata Atlântica.
Reserva Biológica Tamboré vista de cima – abriga inúmeras espécies animais e vegetais típicos da Mata Atlântica. Foto: Instituto Brookfield.

Nesta sexta-feira, comemoramos o Dia Nacional da Mata Atlântica (27/05). Com a proposta de conscientizar a população sobre a importância de preservar o bioma, um dos mais ameaçados do mundo, falaremos hoje sobre três espécies arbóreas da Mata Atlântica que correm risco de extinção: o Jacarandá-paulista (Machaerium villosum), o Jequitibá-vermelho (Cariniana legalis) e o Cedro (Cedrela fissilis).

Para conhecer um pouco mais sobre essas espécies, conversamos com o especialista Mauri Hernandez dos Santos, agrônomo e gestor ambiental da P.A. Brasil, parceira do Instituto Brookfield e responsável técnico pelo Plano de Manejo da Reserva Biológica Tamboré. Confira:

– Cedro
Mauri: O Cedro (Cedrela fissilis), também conhecido como cedro-rosa e cedro-batata, não está presente somente na Mata Atlântica. Também é encontrado no Cerrado e na Amazônia. É uma espécie ameaçada de extinção, em decorrência da exploração ilegal de sua madeira, considerada nobre. Suas sementes aladas possuem um mecanismo para serem dispersas pelo vento, fenômeno denominado anemocoria.

Ramo de Cedro. Foto: Pixabay.
Ramo de Cedro. Foto: Pixabay.

– Jequitibá-vermelho
Mauri: O Jequitibá-rosa ou Jequitibá-vermelho (Cariniana legalis) é outra espécie ameaçada de extinção encontrada na REBio Tamboré. Está entre as árvores-símbolo da Mata Atlântica, considerada uma das mais altas, podendo chegar a 30 metros. Ocorre desde o nordeste até o Estado do Paraná. Também é uma espécie de madeira nobre, com sementes dispersas pelo vento. É uma árvore não pioneira, ou seja, encontrada em matas mais desenvolvidas.

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Jequitibá-rosa no Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, em São Paulo. Foto: Mauro Halpern

– Jacarandá-paulista
Mauri: O Jacarandá-paulista ocorre na Mata Atlântica e parte do Cerrado nos Estados de SP, MG, RJ, MT e PR. Suas flores são esbranquiçadas, destacando-se no meio da mata, característica que também pode ser considerada para uso no paisagismo. Essa espécie é mais uma das ameaçadas por ser considerada de madeira nobre, utilizada para esculturas, móveis e instrumentos musicais.

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Jacarandá-paulista. Foto: Reprodução Vídeo Reserva Ibitipoca

Importância da preservação

De acordo com Mauri, em geral, essas três espécies são de grande porte, de estágios mais avançados de regeneração da mata e são ameaçadas, principalmente, pela extração para comercialização ilegal da madeira. “É importante destacar o uso de produtos com madeira certificada, como selo de origem, além da fragmentação das matas nativas. A exploração ilegal vem sendo o motivo para ameaça de extinção destas espécies”, enfatiza o agrônomo.

Essas três espécies, mencionadas na matéria, estão preservadas na Reserva Biológica Tamboré, localizada em Santana de Parnaíba (SP), que conta com 3,6 milhões de metros quadrados e abriga inúmeras espécies animais e vegetais típicos da Mata Atlântica. O Instituto Brookfield desenvolve programas e projetos que contribuem para a preservação e conservação da Reserva, envolvendo também a comunidade da região neste processo.

Ambientalista preserva a Reserva desde sua criação

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Há 12 anos, Laercio Braga é um Guardião da Reserva Biológica Tamboré. Desde 2001, é proprietário no Tamboré 5, condomínio localizado no entorno da Reserva, mas mora na região desde 2004. Nesse ano, inclusive, começou a se engajar na preservação da Reserva, época em que foi ela instituída. “Desde então me envolvo em tudo que possa fazer referência com a Rebio Tamboré. O motivo: viver bem e deixar viver.”

Laercio é jornalista ambientalista e, atualmente, participa de diversas atividades que envolvem a Rebio Tamboré. É membro no Conselho de Meio Ambiente e faz parte do grupo gestor da Reserva. Além disso, participa do grupo de criação do Plano de Manejo. “Sempre que posso, falo com algum vizinho ou qualquer pessoa que queira me ouvir sobre a Reserva, suas virtudes e demandas. Boa parte se surpreende quando sabe a joia que temos ao nosso lado. Sou um atento guardião”, destaca.

Para saber um pouco sobre sua experiência sobre a Reserva, o Instituto Brookfield conversou com Laercio Braga. Confira abaixo trechos da entrevista:

Instituto Brookfield: Além da Reserva, você se envolve em projetos de preservação de meio ambiente?
Laercio: Sim, me envolvi em programas de capacitação de professores da rede pública do município de São Paulo percorrendo todas as escolas da região norte, de Perus à Jova Rural, disseminando a questão da reciclagem como geração de trabalho e renda. Além de organizar, na região do Jaraguá, uma cooperativa de catadores, com a participação da Agenda 21, da qual era coordenador de educação ambiental — entre 2006 e 2010. Apoiei e participei de programas desenvolvidos pelo Instituto Tamboré (atual Instituto Brookfield), como a Escola Amiga da Terra na região de Santana de Parnaíba. Fui diretor de Meio Ambiente da Sociedade Alphaville Tamboré (SIA), período em que desenvolvemos com o Instituto Brookfield a cartilha da Biodiversidade distribuída nas escolas da região.

Instituto Brookfield: Qual é o seu sonho para a Reserva Biológica Tamboré?
Laercio: O meu grande sonho torna-se realidade a cada ano em que avançamos com novas perspectivas. Em 2005, quando o termo de cooperação entre a Prefeitura de Santana de Parnaíba e o Instituto Tamboré foi assinado, eu estava lá e a pergunta que fiz foi: o termo tem uma vigência de até 20 anos. Pensei: Ok. E depois a Prefeitura terá condições de assumir esta responsabilidade?” Para a minha tranquilidade, a resposta foi sim. Ao longo do tempo, um departamento de meio ambiente foi criado. Hoje, atua com técnicos que não medem esforços para cumprir cada fase necessária para o avanço e a preservação da área. Um sonho de verdade é, futuramente, uma área destinada à educação ambiental que poderá ser possível graças ao Plano de Manejo. O outro é uma Universidade Livre de Meio Ambiente de Santana de Parnaíba, nos moldes da existente em Curitiba. A partir dela, será possível fazer a ponte entre as pessoas e a Reserva, despertar o sentimento de pertencimento e angariar novos guardiões para a reserva. Este é o sonho: a perpetuação.

Projeto monitora qualidade da água dos rios com ajuda de voluntários

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Se você mora em um dos 17 estados que têm Mata Atlântica e está perto de rios, córregos e outros mananciais d’água, seja um voluntário do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica.

A iniciativa visa envolver a sociedade na missão de acompanhar e cobrar o poder público em ações que levem a melhorias na qualidade de vida nessas áreas. Atualmente, o monitoramento da água de rios é realizado por grupos de moradores em cada região, por meio de um kit desenvolvido pelo programa Rede das Águas.

Como acontece

O kit permite que os voluntários façam a avaliação dos rios a partir de um total de 16 parâmetros, que incluem níveis de oxigênio, fósforo, PH, odor e aspectos visuais, entre outros. Em seguida, classifica a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação, de acordo com a legislação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos).

Os grupos fazem a medição uma vez por mês e enviam os resultados pela internet. Os resultados de todos os monitoramentos são reunidos periodicamente e compõem o relatório “Retrato da Qualidade da Água no Brasil”.

Hoje, existem 252 grupos com cerca de 3,6 mil pessoas monitorando 146 rios dos estados de SP, RJ, PB, PE e AL. A previsão é de que, até o fim de 2016, sejam criados dez novos grupos por estado, em São Paulo, Paraíba, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Ceará. A meta é que o monitoramento, feito atualmente em cinco estados brasileiros, seja realizado em todos os 17 estados da Mata Atlântica até 2020.

Saiba como participar

A iniciativa é aberta à população, que pode participar dos grupos de monitoramento já existentes ou ajudar a criar novos grupos em rios próximos a escolas, igrejas e outros centros comunitários.

Se você se interessou pelo projeto, quer saber mais ou ser voluntário, entre em contato com Fundação SOS Mata Atlântica. No primeiro item, “Assunto”, o interessado deve selecionar “voluntariado”.

Rafael Pereira é um dos voluntários cadastrados e coordena um grupo de monitoramento na cidade do Rio de Janeiro. A história dele foi contada no vídeo abaixo:

Ação incentiva moradores a cuidar de áreas verdes em Salvador

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Foto: Marcelo Gandra (DRT/BA 2.991)
Foto: Marcelo Gandra (DRT/BA 2.991)

A cada dia surgem diversas iniciativas para que os cidadãos participem mais do cuidado com os espaços públicos.

Em Salvador, no final de abril, a Praça Belo Horizonte recebeu o primeiro “Totem Vem Me Regar”, uma estrutura de madeira com diversos regadores pendurados, disponíveis gratuitamente. A ideia é que qualquer pessoa possa contribuir com ações sustentáveis, como regar flores em uma praça.

A ação, promovida pela Escola Municipal de Jardinagem Itinerante, da Secretaria Cidade Sustentável da Prefeitura de Salvador (BA), tem o objetivo de envolver crianças, idosos e escolas do bairro na preservação das áreas verdes da cidade.

Para envolver a comunidade, no primeiro dia, equipes da prefeitura ensinaram técnicas de jardinagem e plantio aos voluntários. Quem participou da atividade teve a oportunidade de aprender a manejar a terra, plantar uma muda de árvore e também de conhecer espécies nativas da Mata Atlântica.

Por mais áreas verdes na cidade

Nos três primeiros meses de 2016, o projeto Escola Municipal de Jardinagem Itinerante já plantou mais de 1,3 mil mudas de árvores em 60 locais diferentes do município.

Locais públicos considerados aptos para o plantio de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica poderão receber a iniciativa da Escola de Jardinagem, sempre com envolvimento direto da comunidade com o projeto.

Com informações Catraca Livre e iBahia.

Guardiões da Reserva: conheça histórias inspiradoras de quem busca preservar áreas verdes

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Talvez você não viva próximo à Reserva Biológica Tamboré ou talvez seja um dos muitos moradores de Santana de Parnaíba que passam pertinho dela todos os dias. De uma forma ou de outra, queremos aproximar o público aqui do blog do dia a dia de uma das maiores unidades de conservação brasileira em perímetro urbano!

E para inspirar atitudes de preservação, não só em relação a ela, mas a todas as áreas verdes urbanas e não urbanas, lançamos o Guardiões da Reserva, uma iniciativa que contará histórias de pessoas que cuidam desses espaços. Acompanhe, a partir de hoje.

Amor verde

O interesse do biólogo Renato Bacchi pela Reserva Biológica Tamboré começou em 2009, quando morava no Tamboré 6 — condomínio localizado em frente à Reserva. Todo dia se perguntava o que era aquela área e se ela estava sendo preservada. Um dia, por meio do jornal Ecos da Reserva, que o Instituto Tamboré (atual Instituto Brookfield) distribuía nos condomínios, ficou sabendo exatamente o que era.

Foi aí que Renato entrou em contato com o Instituto Brookfield e acabou participando de um projeto de educação ambiental, desenvolvido com as escolas do entorno. Desde então, não parou mais de se envolver com a Reserva.

Atualmente, participa do grupo de trabalho que contribuiu para a elaboração do Plano de Manejo da Reserva. Durante a conclusão do seu curso de especialização em gerenciamento ambiental, a Rebio Tamboré, também virou tema de sua monografia: Serviços ecossistêmicos fornecidos por uma unidade de conservação em área urbana: o caso da Reserva Biológica Tamboré, Santana de Parnaíba – SP. “Com este trabalho, espero contribuir com o planejamento de gestão da reserva”, afirma.

Confira abaixo trechos da entrevista do Instituto Brookfield com Renato Bacchi.

Instituto Brookfield: Por que escolheu a Reserva como tema da sua especialização?
Renato Bacchi: Essa escolha se deu durante uma das reuniões do grupo de trabalho para a elaboração do Plano de Manejo. Percebi que um levantamento, ainda que inicial, dos serviços ecossistêmicos fornecidos pela Rebio Tamboré, e uma discussão sobre estes serviços poderia contribuir tanto com o Plano de Manejo quanto para as futuras ações na área. Um olhar mais focado sobre estes serviços pode ajudar para que a população do entorno e o poder público comecem a enxergar a reserva como uma fonte importantíssima de qualidade de vida e até manutenção da estrutura urbana, como prevenir enchentes.

Instituto Brookfield: O que é mais importante quando o assunto é preservar a Reserva?
Renato: É importante que a comunidade saiba que a Rebio Tamboré existe e que ela é uma unidade de conservação protegida por lei. Os moradores precisam entender os benefícios que uma área deste tamanho, preservada como está, traz para todos nós. A Rebio Tamboré é de todos nós, da população em geral. Cada um deveria querer cuidar da sua reserva, não por obrigação, mas por gratidão ao que ela oferece.

Instituto Brookfield: Qual o seu sonho para a Reserva Biológica Tamboré?
Renato: Meu sonho é que ela continue eternamente preservada, com apoio da população e do poder público. Sonho que políticas de preservação contribuam com a ligação da Rebio Tamboré com a Serra do Japi e outras áreas preservadas, por meio de corredores ecológicos. Espero que a Rebio Tamboré contribua ativamente para a educação ambiental da comunidade, gerando diversos agentes que propaguem e ajam pela preservação de outras áreas. Sonho também que a Rebio Tamboré sirva de inspiração para a criação de mais unidades de conservação em meio urbano, mostrando como ela traz benefícios para a região onde está inserida.

Foto: Deborah Catherine Fox.